terça-feira, 24 de agosto de 2010

PostHeaderIcon O dilema do sexo oral

Pesquisas mostram: as brasileiras adoram receber essa generosíssima forma de interação sexual. Mesmo assim, são cheias de encanações sobre o assunto

Por: Regina Terraz
Foto: Chiquinha!




É curioso que se chame de sexo oral justamente a prática sexual em que menos se pode falar!!”, espantou-se o sempre sábio humorista Woody Allen. A frase vale por um compilado sobre o assunto, não só pela incrível observação anatômica, mas também pelo tabu que ronda a coisa toda.

De acordo com o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, megalevantamento coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, 66,8% dos homens e 63,4% das mulheres de nossa animada nação verde-amarela declaram que, sim, exercem essa generosa forma de interação sexual. Mas qualquer sexólogo é capaz de cravar: ainda há muuuitas reservas sobre o tema, principalmente quando é a mulher quem recebe os carinhos íntimos. “Nas gerações mais novas, o sexo oral tem cada vez menos caráter de coisa pervertida. Mesmo assim, ainda não estamos totalmente livres desse tabu”, afirma Carmita Abdo.

A estudante de rádio e TV Gabrielle Santos de Almeida, 19 anos, por exemplo, é uma espécie de E.T. entre suas amigas. Pratica e fala de sexo oral alegremente, sem culpa & sem pudores. “Sou considerada a sexóloga da turma porque incentivo minhas amigas a saberem mais sobre o corpo delas para terem mais prazer”, diz. As amigas de Gabrielle costumam comentar que, com seus namorados, nem sempre a coisa rola de forma natural. “Às vezes elas se sentem constrangidas em deixar que eles façam sexo oral nelas ou em tomar a iniciativa para fazer nos parceiros”, diz a estudante.

Constrangimento?!? Como assim? Segundo Mara Pusch, psicoterapeuta sexual da Unifesp, muitas mulheres ainda consideram o próprio órgão sexual como algo sujo, feio, meio estranho – um tipo de território proibido. E por isso têm vergonha de deixar que o homem invada essa espécie de ilha de Lost dos prazeres do corpo.

Essa percepção equivocada da vagina pode gerar uma série de preocupações. Entre elas: a de que, na hora do sexo, o parceiro possa não gostar do formato da vulva, se incomode com o cheiro ou até que considere vulgar uma moçoila disposta a se entregar sem culpa a essa ótima forma de prazer. Há quem encane também com o quesito velocidade. Em geral, as mulheres demoram a se excitar. Por isso, algumas têm pudor de que o parceiro precise dedicar um bom tempo ao sexo oral.

Fazer sexo oral não é errado

Mas o rol de neuras que rondam o tema ainda vai mais longe. Algumas mulheres ainda consideram que sexo oral é um contato físico... errado. “Tem gente que acha que sexo é só o pênis dentro da vagina e ponto, acabou. O resto é sacanagem. Mas a relação sexual é muito mais do que isso, é troca, é entrega. E o sexo oral faz parte disso e não tem nada de inadequado”, esclarece a sexóloga Carla Cecarello.

Na opinião da psicóloga e terapeuta sexual Ana Canosa, a mulher problematiza muito mais o sexo do que o homem. E isso causa bloqueios que só atrapalham a dinâmica da relação. “Os homens não estão nem aí para o tamanho dos lábios vaginais, do clitóris. Eles querem ver, pegar, cheirar. O aspecto visual os excita”, avisa.

Do ponto de vista da anatomia humana & seus mistérios, o fato é que o sexo oral é um grande facilitador do orgasmo tanto para mulheres como para homens, garantem os sexólogos. No caso feminino, isso ocorre porque a língua estimula diretamente a região mais sensível do corpo da mulher: o clitóris, que sozinho contém cerca de 8 mil terminações nervosas. É mais do que qualquer outra parte do corpo humano. Assim como o pênis, o clitóris se enche de sangue e endurece ao ser estimulado. E quando isso é feito até o limite, as paredes vaginais se contraem para expulsar parte do sangue. E é nessa hora que o orgasmo acontece. A ponta do clitóris fica na parte exterior da vagina, mas ele continua na porção interna do órgão. “Cerca de 70% das mulheres atingem o orgasmo por meio da estimulação direta da cabeça do clitóris e 30%, via estimulação indireta, pela penetração do pênis”, diz Carla Cecarello.

Há uma grande diferença entre o odor natural que o corpo exala na hora do sexo –
e que, inclusive, é afrodisíaco – e o cheiro que a vagina pode manifestar por causa de urina ou infecções na região. E pequenos cuidados bastam para eliminar o odor desagradável, como lavar bem a área, usar sabonetes neutros ou de glicerina (eles são Sexo oralmais suaves e ajudam a manter a acidez da vagina). Também vale dormir sem calcinha para que a região fique arejada, porque o abafamento contribui para a proliferação de bactérias. Ou preferir modelos de algodão, que favorecem a ventilação.

Se quiser perfumar a área, passe hidratante ou um pouco de perfume na virilha, barriga e bumbum, mas nunca dentro da vulva, porque isso pode irritar a mucosa! As farmácias também oferecem produtos específicos para a vagina, como desodorantes e perfumes íntimos com cheiros de frutas. Mas, se optar por esses recursos, convém avisar o parceiro antes para que ele não seja pego de surpresa...


Proteja-se
Assim como na penetração, pelo sexo oral também se pode pegar ou passar doenças sexualmente transmissíveis, como herpes, gonorreia, sífilis, HPV e aids. Portanto, é bom se proteger. Uma boa tática é cortar uma camisinha e esticar o látex sobre a vagina antes de tudo começar. Sexólogos também indicam o uso de filme plástico (aquele de cozinha, sabe?), camisinha feminina ou até camisinha de língua. Sim, ela existe e custa em torno de R$ 20 em sex shops. Em caso de relação estável, vale aquele acordo com o parceiro: os dois fazem exames para checar se está tudo bem.

As principais dúvidas

Uma compilação das principais dúvidas sobre sexo oral, de acordo com sexólogos:

E se ele quiser me beijar depois de fazer sexo oral em mim?
Não há nenhum problema com isso. Mas, se você não gostar, avise antes. Ou diga, com jeitinho, durante a relação.

Eu adoro sexo oral, mas meu parceiro nunca se manifestou. Como pedir a ele?
Comece a explorar o assunto fora da cama. Jogue verde para colher maduro, fale do tema como quem não quer nada para sondar como ele reage. Ou simplesmente vá direto ao ponto: durante o rala-e-rola, conduza-o carinhosamente até a área de interesse…

E se ele for muito apressado, como agir?
As mulheres demoram mais para se excitar que os homens. Por isso, se o parceiro embarcar sem escalas no sexo oral, o efeito pode ser contrário: o contato com o clitóris, em vez de esquentar, pode esfriar o clima. É importante estar minimamente excitada para que a expedição oral seja prazerosa. Uma dica: distrair o parceiro com beijos e amassos até estar pronta.

Fonte :: GLOSS

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