quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PostHeaderIcon Traição masculina: o perfil dos infiéis

No que diz respeito à infidelidade... os homens não são todos iguais. Você vai conhecer as novas - e distintas - motivações masculinas para cometer essa prática ameaçadora. E ler a surpreendente (e detalhada) história de um traidor confesso.


Texto Daniela Folloni / Foto Rodrigo Braga

ALICE: Como? Como isso funciona? Como você foi capaz de fazer isso (...)? Dan tenta pensar numa desculpa. (...)
DAN: Eu me apaixonei por ela, Alice.
ALICE: Ah, como se não tivesse escolha? Existe um momento, sempre existe um momento [em que você avalia] "Eu posso fazer isso, eu posso me entregar ou eu posso resistir". Não sei quando foi seu momento, mas aposto que teve um. Vou embora.Dan bloqueia a porta.
DAN: Não é seguro lá fora.
ALICE: E é seguro aqui?
DAN: E as suas coisas?
ALICE: Não preciso de "coisas".
DAN: Aonde você vai?
ALICE:Desaparecer.


Reconheceu o diálogo acima? É de uma cena do filme Closer - Perto Demais. Nela, Dan (Jude Law) confessa à sua namorada, Alice (Natalie Portman), que estava tendo um caso - com Anna (Julia Roberts) - e tenta justificar. Ela retrata uma das dores mais cruéis da traição: imaginar aquele momento em que o homem da sua vida simplesmente esquece que você existe e se deixa envolver por outra mulher. Por que fez isso? Como foi capaz? Não pensou nas consequências? Já não me ama mais? Se no passado eles traíam por se acharem no direito de se divertir, hoje a questão é mais complexa (até porque essa "atividade" já não é exclusiva dos meninos). Tanto que tornou-se impossível generalizar e encontrar uma justificativa única para cem por cento dos casos de infidelidade. Há diversos mecanismos que fazem um homem pular a cerca. Com base em pesquisas que se propõem a analisar esse monstro que assombra os namoros e casamentos, baixamos a ficha de quatro perfis de traidores bem atuais (eles podem combinar entre si e gerar subtipos). Leia e fique alerta!

O imaturo

Como ele é: Jovem, na faixa dos 20 aos 25 anos, quer aproveitar a vida ao máximo e pontuar - leia-se transar - com muitas garotas.

Sua frase típica: "Neste fim de semana peguei várias."

Por que decide trair: Está focado no próprio prazer e deseja mostrar aos amigos que é o bom. Mais do que sexual, seu objetivo é competitivo. "Por um lado, tem necessidade de fincar raízes; por outro, privilegia o fast love, o consumo rápido, que o satisfaz", diz o psiquiatra italiano Willy Pasini em seu livro Amores Infiéis - Psicologia da Traição (Rocco). Sua personalidade está em formação e a infidelidade é consequência disso.

Como age: Em seus relacionamentos clandestinos, geralmente não sente aquela paixão avassaladora. O sexo é feito de maneira mecânica, como num videogame. Pode dizer que está envolvido e, logo depois, sentir a mesma empolgação por outra

O aventureiro

Como ele é: Tem a convicção de que o homem deve ter várias mulheres sempre. É o típico Don Juan. "Para ele, a infidelidade é decorrente de uma necessidade interior, da natureza masculina, e não está relacionada a nenhum problema do casamento", fala a antropóloga Mirian Goldenberg, autora de livros como Por Que Homens e Mulheres Traem? (BestBolso).

Sua frase típica: "O instinto do macho é a poligamia. Não posso ir contra isso."

Por que decide trair: Para viver fortes emoções sempre. "Há pessoas que costumo chamar de sensation seekers - caçadores de sensação -, que vivem na permanente busca de sensações excitantes, que exigem muito do casamento", conta Pasini.

Como age: Topa tanto sexo sem compromisso quanto casos duradouros. Gaba-se por saber fazer cada mulher se sentir única. Por estar confortável na posição de traidor, joga charme e pode ser considerado irresistível.

O dividido

Como ele é: Não está feliz em seu relacionamento estável - casamento ou namoro de anos -, mas também não tem coragem de terminar. Faz o tipo monogâmico. "Para ele, a esposa é, ou deve ser, tudo: amiga, amante, companheira, cúmplice", analisa Mirian em um livro. "Ela deve ser o equivalente a todas as mulheres do mundo, sem faltas ou vazios que poderiam ser preenchidos por outras. Ela é única, especial, plena, insubstituível. Apenas crises conjugais ou pessoais justificariam a presença de outra mulher, o que provocaria uma ruptura do casamento", completa.

Sua frase típica: "Minha mulher não me dá mais a mesma atenção."

Por que decide trair: Pode ser que o sexo com a oficial tenha se tornado escasso. Ou a paixão tenha acabado. E ele não consegue administrar a mudança de fase pela qual a relação está passando. "Depois de três anos, a dopamina (hormônio da base do desejo) é substituída pela oxitocina (hormônio da ternura), que desloca biologicamente o amor de um casal para sentimentos menos arrebatadores, como a ternura e o respeito pelo outro", explica Pasini. "Mas há homens e mulheres que não se contentam com o novo ritmo ditado pela oxitocina e pelo afeto. Têm necessidade de se sentir apaixonados e, por isso, seguem o coração", diz o especialista.

Como age: Com covardia. E se sente vítima da situação. Esconde a traição e fica nesse impasse até que a mulher descubra. Às vezes, deixa rastros de suas escapadas, pois, inconscientemente, prefere ser flagrado a tomar a iniciativa de assumir que não está satisfeito.

O ocasional

Como ele é: Casado, tem um discurso do marido cem por cento fiel. Vive uma relação estável, feliz, mas sente falta de um friozinho na barriga de vez em quando.

Sua frase típica: "Foi mais forte que eu."

Por que decide trair: Graças a circunstâncias propícias, para liberar uma vontade reprimida, se energizar. "Para alguns, hoje, trair é como tomar um comprimido de aspirina quando se tem dor de cabeça", compara Pasini. "É um divertimento excitante para a nostalgia conjugal, um ‘arrepio’ de erotismo e de novidade, o desejo de fugir à ‘realidade’ da realidade. Muitas traições advêm de um lapso de tempo tão curto que podem ser definidas como traições relâmpagos", comenta o psiquiatra.

Como age: Investe em transas casuais e se aproveita de situações passageiras, como viagens de negócios.

Depoimento de um traidor confesso

"O sexo é ótimo, mas só rola uma vez por mês"

O arquiteto Luciano*, 30 anos, do Rio de Janeiro, um caso típico de traidor mezzo dividido, mezzo aventureiro, abre seu coração e suas escapadas.

"Minha namorada é bonita, gostosa e tenho muito tesão por ela. Nos conhecemos no final da faculdade. Nossa química é perfeita e, nessa época, transávamos quase todos os dias. Há dois anos, fomos morar juntos. Nos primeiros três meses, mantivemos o mesmo ritmo. Só não rolava quando um de nós estava muito cansado. Para mim, era ótimo, pois sempre tive necessidade de uma vida sexual ativa.

Mas, uns seis meses depois, ela começou uma pós e passou a se dedicar muito aos estudos. Com isso, nossas transas diminuíram. Cheguei a pensar que estivesse me traindo. Passei a aparecer de surpresa nos lugares onde ela dizia estar e nunca encontrei provas para a minha suspeita. Concluí que ela falava a verdade e passei a imaginar que o problema era comigo. A possibilidade de ela ter perdido o interesse por mim me deixou intrigado. Não me considero nenhum Brad Pitt, mas as mulheres com quem saí diziam que sou bonito e bom de cama. Minha namorada mesmo nunca teve problemas em atingir o orgasmo. O sexo é ótimo, mas só rola uma vez por mês. Quando pergunto o que acontece, ela diz que é uma fase de muito estudo e que não tem tanta vontade como eu. Até já alegou outras coisas, como que o pai era muito machista e enchia a cabeça dela com besteiras, do tipo que mulher direita não sente desejo na mesma proporção dos homens. Me sentia - e ainda me sinto - péssimo. Cheguei a ficar com a autoestima lá embaixo e me flagrar pensando em sexo o dia todo. Bastava ver algum sex appeal em uma mulher na rua ou na tevê para ter altas fantasias. Ao mesmo tempo, não achava justo trair minha namorada. A saída? Me masturbar pensando nela ou em algo erótico. Continuava tentando seduzi-la, mas suas negativas constantes começaram a me cansar.

Aos poucos, passei a reparar nas outras mulheres e a dar sinais de incentivo. Isso era mais para fazer bem ao ego, pois me satisfazia pensando no flerte do dia durante a masturbação. A primeira chance concreta de traição veio há um ano. Pensei: ‘Por que não?’ Tinha jantado com um parceiro de negócios quando me deparei com uma amiga de cursinho. Ela sugeriu um reencontro da turma e eu tratei de organizar rápido, já planejando um final picante. Anotei o telefone dela e marquei com o pessoal. Como minha namorada passava as noites fazendo trabalhos, escolhi uma dessas vezes. Quando fui avisá-la que já ia, ela ria com as colegas e nem deu bola, o que me deixou com raiva. Talvez, se tivesse levantado e me dado um beijo, eu não fizesse nada naquela noite.

Assim, durante a happy hour, depois de algumas taças de vinho, eu e minha antiga colega de cursinho começamos a trocar olhares maliciosos. Estava alto e, confesso, nem pensava na minha namorada. Só queria pegar aquela mulher. O clima de sedução era bom demais. Havia tempos não me sentia tão desejado. A possibilidade de transar com ela me deixava louco. Quando convidou para tomar café em seu apartamento, nem pensei duas vezes. Antes de fechar a porta, já estávamos nos agarrando. Ela era quente, tudo o que eu precisava. Transamos até de madrugada. O sexo foi bom, mas, à medida que o efeito do vinho passava, a culpa aparecia e eu só pensava em ir embora. Torcia para ela gozar logo. Quando cheguei, minha namorada dormia. Me senti péssimo. Dei um beijo nela e me desculpei baixinho.

A culpa me fez evitar uma nova traição por um tempo, mas, como nada mudava, a porta que eu tinha aberto voltaria a se abrir para não mais fechar. Transei com a colega de cursinho mais vezes. Depois, surgiram outras: mulheres que conhecia em viagens e reuniões de trabalho ou amigas de amigos. No início, traía pouco. Depois, semanalmente. O que me dava mais prazer era a conquista, além do fato de me sentir desejado. Minha namorada passou a se queixar das minhas ausências. Dava a desculpa de que ela estudava muito à noite e eu aproveitava para ver os amigos. Aí marcava meus encontros e ia a motéis ou à casa dessas mulheres. Uma escapada foi boa demais: desenhava a cozinha de uma cliente de seus 40 anos, firme e decidida, e rolava um clima de sedução. Um dia, ela me pegou de jeito e transamos na cozinha mesmo, em pé e de todas as formas possíveis.

Não é fácil trair a pessoa que mais amo, mas procuro encarar com naturalidade, como se fosse só uma forma de suprir uma necessidade física. Nunca escondi das outras que sou comprometido e que a transa não teria um envolvimento emocional. Talvez por ser sincero, nunca tive problema. Conheço homens que traem pelo prazer do proibido. Outros buscam mulheres fora de casa porque perderam a sua para os filhos, os problemas e a rotina. Já me perguntei por que não termino com minha namorada. Creio que as mulheres nunca entenderão, mas eu a amo de verdade e não quero perdê-la. Por mim, nunca trairia. É com ela que tenho mais prazer, intimidade e química. Seu cheiro me deixa louco - o que nunca aconteceu com as outras, tanto que nem passa pela minha cabeça me apaixonar por nenhuma delas.

Não quero jogar para ela a responsabilidade por minhas escapadas. Mas sinto falta de sexo, mesmo que ele não seja tudo em uma relação. Não basta me masturbar, como um adolescente. O problema é que ela continua desinteressada. Tenho esperanças de que, um dia, nossa relação volte a ser como antes. Talvez a gente precise de terapia ou uma lua de mel em um lugar paradisíaco. Só não sei como propor."

*O nome foi trocado a pedido do entrevistado.

Fonte :: NOVA

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